sexta-feira, 29 de maio de 2009

A FOTOGRAFIA FOI INVENTADA NO BRASIL

Em 1833, seis anos antes da descoberta de Daguerre, um imigrante francês morador da vila de São Carlos (Campinas), no interior de São Paulo, conseguia capturar imagens, com o auxilio de uma câmara escura de fabricação caseia. Era Hércules Florence, um criador que desenvolveu pesquisas com substancia fotossensíveis, como nitrato de prata e cloreto de ouro, fixando imagens em papel com o auxilio de urina e amoníaco caustico. Em janeiro de 1834 Florence batizou sua descoberta como photographie, num diário escrito em francês. Em 1840, quando teve noticia do daguerreótipo, publicou um comunicado a respeito: “Não disputarei descobertas a ninguém, porque uma mesma idéia pode vir a duas pessoas”.
Os Trintas Valerios:
a fotomontagem de um
pintor que se apaixonou
pelas novas técnicas
A Fotografia ainda estava longe de ter um tratamento industrializado. Era uma arte trabalhosa, dificílima, requerendo acima de tudo paciência e habilidade. Tal era o caso de Marc Ferrez, que, apaixonado pela fotodocumentação, fotografou as principais cidades brasileiras, construções, ferrovias, fazendas, interiores palacianos, igrejas, florestas, índios, navios, praias, etc. As dificuldades desse tipo de trabalho eram enormes, pois os negativos eram feitos de vidro, umedecido com uma solução de clara de ovo e nitrato de prata, e deveriam ser submetidos à revelação logo depois de batida a fotografia.

O artista era obrigado a carregar tendas para improvisar a câmara escura, vários frascos com produtos químicos, caixas de chapas de vidros e, naturalmente, a imensa maquina fotográfica. No final do século XIX, Ferrez desenhou e mandou fabricar numa oficina de Paris uma maquina fotográfica de mais de 2 metros e 110 quilos, que comportava negativos de vidros com mais de 1 metro de largura e 8 quilos de peso. Com toda essa aparelhagem, Ferrez escalou montanhas como o pão de açúcar, para obter gigantescos painéis do Rio de Janeiro, que, premiados em exposições internacionais tornaram a paisagem carioca famosa no mundo todo.

Na virada do século, a arte da fotografia experimentou um desenvolvimento notável no Brasil. Multiplicaram-se os ateliês fotográficos nas grandes cidades. Não havia gente que não se fizesse retratar por um fotografo, em sua cidade e nas viagens. Criou-se o habito também da constante troca de fotografias entre noivos, parentes a amigos. As pessoas apareciam em poses muito rígidas, pois eram precisos uns tantos minutos de exposição para impressionar os negativos, e qualquer movimento dos retratados estragava a foto.

Com o aprimoramento das técnicas de impressão, os jornais e revistas — que antes não passavam de blocos de textos compacto, arejados por algumas gravuras — passaram a mostrar imagens. E, em 1900, surgiu a Revista da semana, no Rio, como encarte ilustrado do Jornal do Brasil. Outras revista o seguiram.

A fotografia apaixonava muitos criadores, que foram ampliando suas possibilidades técnicas e artísticas. Em 1890, o mestre Valerio Vieira, que também se dedicava à pintura, realizou o primeiro trabalho de fotomontagem no Brasil: Os 30 Valerios, onde ele próprio se coloca em poses diferentes numa mesma foto representando nove músicos diante de vinte espectadores e alguns figurantes.

quarta-feira, 27 de maio de 2009

O POVO ESTAVA ATURDIDO NA CAPITAL FEDERAL

“Bota abaixo! Bota abaixo!
Este prefeito fugiu do hospício?”
Reclama o povo aturdido entre
os escombros da cidade.

Pereira Passos, filho de um cafeicultor fluminense e engenheiro formado pela Escola Militar, assumiu a Prefeitura da Capital Federal em 1903, com plenos poderes para executar seus planos de "remodelar o porto, alargar as ruas mais movimentada, derrubar os pardieiros, desafogar o centro". O prefeito acercou-se de dois assessores: os engenheiros Francisco Bicalho e Paulo de Frontin.

A tarefa de Bicalho levantaria menos a opinião publica. Ele fiou encarregado de reconstruir o cais do porto, desde a Praça Mauá até o canal do mangue (3500 metros), corrigindo o traçado litorâneo e ganhando rumo ao mar 175 000 m2 de aterro. Além disso, deveria reequipar o porto (dotado de 52 novos armazéns e igual número de guindastes elétricos). Para facilitar o acesso ao porto, estenderam-se as linhas das estradas de ferro Leopoldina e Central, e rasgou-se a nova Avenida Rodrigues Alves.

Enquanto Bicalho trabalhava no porto. Paulo de Frontin atacava o centro. Planejou o traçado da nova Avenida Central e, em fevereiro de 1904, presentes o presidente e o prefeito, foi lançada sua pedra fundamental. Mas antes de destruir Avenidas como essa, era preciso desobstruir o centro, derrubar todas as casas e cortiços do caminho. Começava o “Bota-abaixo”, como exércitos de demolidores explodindo habitações e removendo entulhos. “Quebrado a rotina” da Capital Federal, o prefeito manda também que sejam alargadas várias ruas, supervisionadas por construções da cidade, obriga a trocar assoalhos, rasgar janelas nas paredes escuras dos quartos, jogar fora o lixo dos quitais.

O povo estava descontente. Muitos cortiços foram destruídos e seus habitantes tiveram de mudar-se para regiões muito mais distantes de seus locais de trabalho. Em nove meses, foram demolidos nada menos que 614 prédios.

Em outubro de 1904, a população estava aturdida. Toneladas de pedras amontoavam-se no porto, o centro parecia área bombardeada, e Oswaldo Cruz vacinava todo mundo. “O próximo Governo” — diziam os jornais — “devemos ir buscá-lo no hospício”.